Determinação, foco e persistência: essas são as palavras que resumem a trajetória bem-sucedida de Rodrigo Scarpa de Castro, o repórter Vesgo

Brasil Econômico



Mineiro da pequena Itanhandu, localizada no sul de Minas Gerais, com apenas 15 mil habitantes, “Vesgo” como ficou conhecido nacionalmente no programa Pânico na Tv, é apontado pela mídia como precursor do “Jornalismo Deboche” com celebridades, desconstruindo todo o lado glamoroso idealizado pelas revistas de fofocas.  

Desde muito cedo, Vesgo demonstrou criatividade e muita gana de trabalhar com seus ídolos
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Desde muito cedo, Vesgo demonstrou criatividade e muita gana de trabalhar com seus ídolos



Com o personagem consagrado há mais de 13 anos na televisão, quem acompanha a carreira de Rodrigo Scarpa, não tem ideia das características empreendedoras que despertou ainda na infância, e que contribuíram para se tornar referência em um dos programas de humor de maior audiência no país. Em entrevista ao canal Empreendedorismo, Rodrigo “Vesgo”, revela detalhes da trajetória bem-sucedida diante das câmeras, e pela primeira vez, fala abertamente sobre os investimentos que possui como empreendedor, que vão muito além da carreira artística.

Como você era na infância e na adolescência?

Rodrigo: Sempre fui uma criança falante, na escola eu adorava sentar com o pessoal do fundão, mas nas avaliações costumava ser perfeccionista, perseguia as melhores notas da turma. Aos 11 anos, eu decidi ter o meu primeiro “negócio”. Montei uma barraquinha na praça central ao lado da igreja, e lá eu vendia as revistinhas da Turma da Mônica para a criançada. Como a cidade era pequena, acabava conhecendo todo mundo.

Vesgo foi estagiário da Jovem Pan, no programa Torpedo
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Vesgo foi estagiário da Jovem Pan, no programa Torpedo



Como começou a paixão pela comunicação?

Rodrigo: Com 13 anos de idade, com uma câmera de um amigo, eu e alguns garotos saiamos na rua para entrevistar as pessoas da cidade. Gostávamos de fazer filmes de terror. Nessa época eu já sabia que queria trabalhar na televisão, embora isso fosse muito distante daquela realidade. Aos 14 anos, a Jovem Pan que tinha acabado de chegar em Itanhandu, tinha o programa Pânico. E eu e meus amigos criamos um programa de rádio comunitária inspirado no Pânico, e colocamos o nome de “Manicômio”, nosso estúdio era feito com caixas de ovo na parede, algo totalmente caseiro.

Então a sua relação com o Pânico é antiga?

Rodrigo: Sim, eu ficava imaginando, esses caras devem ser muito felizes, eles trabalham com humor, dão risada e ainda ganham para isso. Coloquei isso na minha mente, eu quero trabalhar com eles. Essa era a minha meta, quero ser colega de trabalho de quem eu sou fã. Mas estava longe, porém precisava dar um jeito de interagir com esses caras. Eu fiquei conhecido por eles como ouvinte, por que eu passei quatro anos ligando constantemente para o programa. Criei um motivo para chegar próximo dos caras. Como o Sergio Chapelin, do Globo Repórter era da minha cidade, eu e meus amigos passávamos alguns trotes para ele, e isso eu colocava no ar para eles ouvirem, e eles morriam de rir, essa foi a minha estratégia para mostrar para os caras que eu podia trabalhar com eles.

Vesgo já foi sócio da Caribbean, balada no badalado bairro paulistano de Pinheiros
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Vesgo já foi sócio da Caribbean, balada no badalado bairro paulistano de Pinheiros


Como se preparou para seguir essa meta de trabalhar com comunicação?

Rodrigo: Ainda na adolescência trabalhava no açougue do meu pai, ajudava ele no caixa, e cresci admirando a forma comercial que meu pai enxergava as coisas, ele também tinha um negócio pequeno de vendas de carros e eu cresci vendo ele sempre muito esforçado e com facilidade para os negócios. Ele pôde pagar a faculdade particular para mim e para os meus irmãos. E como eu já havia traçado uma ideia do que queria, não tive dúvidas ao escolher a faculdade de Rádio e Tv, mas para isso vim para São Paulo, pois tinha mais oportunidades já naquela época.

Já veio para São Paulo com uma vaga garantida no Pânico?

Rodrigo: Nada disso, não foi tão simples assim (rsrs), mas estava me aproximando. Por ironia do destino consegui um estágio no depto. de promoção da rádio Jovem Pan, colava adesivos nas ruas e participava de apresentações promocionais da emissora. Um ano depois, em 2000, passei a trabalhar como estagiário da produção. Tive a honra de trabalhar com o Luciano Huck e a Adriane Galisteu no programa Torpedo da Pan. Depois disso trabalhei com o Marcos Mion, na produção do programa Descontrole, inclusive eu me vestia do personagem corvo (rs). Depois disso, em 2003 surgiu o convite para fazer parte do Pânico na Redetv, e estamos juntos até hoje.

LADO EMPREENDEDOR, ALÉM DO RÁDIO E TELEVISÃO
Além do Pânico, você é muito convidado para campanhas e eventos. Você tem um percentual considerável de ganho por meio das mídias sociais?

Rodrigo: Sim, muita coisa mudou nesse tempo no Pânico, quando comecei por exemplo, não existia o Youtube. Hoje é possível ganhar com posts patrocinados nas redes sociais. As mídias sociais viraram outra fonte de renda, já fiz campanhas da Bis, Tilibra, entre outros. O meu Instagram possui cerca de um milhão de seguidores, no meu Facebook tenho 4, 2 milhões de pessoas e no Twitter cerca de 6 milhões. Então é uma audiência além daquela que existe na televisão. Criei até um Whats app para as pessoas interagirem comigo. Por incrível que pareça, ainda sou eu que administro o meu Facebook, conversando com o público consigo ter um feedback bacana e ter um retorno do que eles querem.

Qual foi a sua primeira experiência como empreendedor? E o que você já teve?

Rodrigo: O meu primeiro dinheiro que ganhei no Pânico, investi em uma fábrica de queijos com o meu pai. Meu pai investiu tanto na minha vida, que eu quis dar um retorno a ele, sou muito grato por tudo que os meus pais fizeram por mim. Depois eu tive a experiência de ser dono de uma balada, a Caribean, ela existe até hoje, depois que casei virei um cara mais família e vendi a minha parte.

E hoje qual o investimento que brilha os seus olhos?

Rodrigo: Atualmente, o projeto que brilha os meus olhos é a Tapioteca, que tenho com o Fernando Gabas. Fiz um quadro no Pânico na Tv chamado “A cinturinha do Zeca”, fiquei com 106 kg, para emagrecer eu comi muita tapioca, e a coisa deu tão certo que decidi falar com ele sobre abrir um negócio nessa área. Estamos em um projeto piloto com uma loja no Shopping Pátio Paulista, e o produto teve uma aceitação muito grande, em 2017 vamos abrir para candidatos que querem franquia, já temos cerca de 30 a 40 pessoas interessadas. Eu tenho um grande sonho, que é levar a Tapioteca para o exterior, pois é um produto brasileiro que eu tenho certeza que terá grande aceitação lá fora.

Além do segmento alimentício, você investe em quais setores?

Rodrigo: Eu amo viajar, e eu tenho um outro negócio com um amigo chamado Mochilando.com.br , é uma plataforma com dicas de roteiros, inclusive estamos concorrendo a um prêmio de influenciadores digital no segmento de turismo.

Também invisto em vestuário masculino, descobri um talento lá de Belo Horizonte, inclusive por meio do Instagram que é o Léo, ele faz camisetas maravilhosas. Eu olhei e pensei esse cara é muito bom, vou investir nessa empresa. A Unique é a minha mais nova aposta. Junto com um outro sócio, vamos profissionalizar essa marca e torna-la grande. Esse é um outro sonho.

Você já investiu errado? Em outras palavras, já deu o passo maior que a perna?

Rodrigo: Uma vez eu tentei fazer uma empresa que durou três meses. Se chamava Start Now, foi no boom das compras coletivas. Eu entrei despreparado no negócio. O erro me ensinou que eu não devo gastar mais do que a receita.

Para finalizarmos, quais as características do Rodrigo Vesgo empreendedor?

Rodrigo: Eu invisto naquilo que eu gosto, dessa forma o trabalho flui de forma natural. Eu não vou entrar em um negócio que eu não gosto, somente por que dá uma alta margem de lucro. Aprendi que escolher o sócio é muito importante, por isso nos projetos que faço parte estou envolvido com pessoas que acreditam com a mesma intensidade que eu, e isso é muito bacana. 

*Antonio Luis, especial para o Brasil Econômico

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