Em 2016, mais de duas mil pessoas morreram à espera de um transplante

Para conscientizar e alertar a população sobre a importância da doação de órgãos, o cirurgião cardiovascular e integrante da Comissão de Remoção de Órgãos da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO), José Lima Oliveira Junior, criou a campanha Setembro Verde em 2013. Doutor Lima, como também é conhecido, falou sobre seu empreendedorismo social ao Pra Frente Sempre.


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"Quando comecei a trabalhar com transplante, via as pessoas na fila por um órgão e notava que quase a metade morria antes de receber a doação. Entendi que esse problema não seria resolvido só com ferramentas médicas", diz o cirurgião cardiovascular. Segundo o Doutor Lima , dados da ABTO mostram que 2.013 pessoas que aguardavam na fila por um órgão morreram no ano passado.

A campanha surgiu também para mobilizar um grande número de pessoas e incentivar a adesão dos órgãos públicos. “As campanhas existentes sobre o tema tinham o foco errado, enfatizavam muito a doação, a história do doador ou o lado triste dos casos. As pessoas querem ver é o lado alegre, o do transplante”, explica.

O médico então idealizou o Setembro Verde, campanha realizada durante todo o mês de setembro e que reforça o Dia Nacional da Doação de Órgãos, comemorado no dia 27 do mesmo mês. Com o slogan “Doe órgãos, a vida continua!”, os estados participantes iluminam monumentos e prédios de verde, além de realizar ações para alertar a população sobre essa necessidade. Na última edição, 21 estados brasileiros aderiram ao movimento.

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José Lima Oliveira Junior, cirurgião cardiovascular, é idealizador do Setembro Verde
Divulgação
José Lima Oliveira Junior, cirurgião cardiovascular, é idealizador do Setembro Verde

Panorama da doação no Brasil

O número de doadores de órgãos cresceu timidamente no Brasil, mas ainda está abaixo da meta. Recente pesquisa da Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos mostra que a taxa de doadores aumentou 3,5%, atingindo 14,6 doadores efetivos a cada milhão de habitantes. A expectativa era alcançar, em 2016, 15,1. Já para este ano, a meta é atingir a taxa de 16,6 doadores a cada milhão de habitantes.

O Brasil ocupa a 27ª colocação em doação de órgãos, em uma lista de 46 países. Em primeiro lugar está a Espanha, com 39,7 doadores efetivos a cada milhão de habitantes. Embora, distantes dos números de países mais desenvolvidos, encontramos em solo nacional exemplos positivos de avanço. O destaque fica para Santa Catarina, com 36,8 doadores a cada milhão de habitantes.

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“A recusa familiar continua sendo o principal entrave para avançarmos na doação de órgãos. O levantamento aponta que 43% das famílias não autorizaram a doação. Falta conscientização sobre a importância de salvar vidas por meio do transplante”, diz Doutor Lima, idealizador da campanha. Entre as 34.542 pessoas que esperavam um transplante em dezembro de 2016, 21.264 aguardavam rim, 10.923 córnea, 1.331 fígado, 282 coração, 172 pulmão, 539 pâncreas e rim e 31 pâncreas.

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